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24 de março de 2011

Leia o Depoimento da Dona Nair, Protetora do Pimpoo

O drama de Nair Flores, 64, e seu cão Pinpoo, que ficou por 14 dias desaparecido após sumir no aeroporto Salgado Filho, na capital gaúcha, ganhou repercussão e comoveu vários brasileiros. O animalzinho foi recuperado na semana passada, no dia 16 de março. Leia abaixo depoimento da aposentada concedido à Folha.

"Estou exausta. Nunca passei por isso, com todo mundo me procurando. O Pinpoo foi encontrado [dia 16], finalmente. Ficamos acordados até as 3h da manhã naquela noite. Dei banho nele e agora ele está descansando aqui, de gravatinha vermelha.

Quem conseguiu pegar o Pinpoo foi um sargento que trabalha dentro do aeroporto [Salgado Filho, em Porto Alegre]. Ele notou que um cachorro andava por ali à noite, sempre procurando comida. Então começou a deixar ração para ele. Se bem que o Pinpoo é um cachorro muito mimado, não é muito de comer ração, não.

Aí ele botou uma vasilha com frango assado na sala dele. O Pinpoo entrou, lógico: imagina, tanto tempo sem comer frango assado!

O sargento fechou a porta da sala e conseguiu pegá-lo. Ele também tem cachorro e tinha certeza de que aquele cão que andava por ali era o Pinpoo, mas não podia fazer alarde. Se não, chegariam com carros, luzes, e iam deixar o coitadinho em pânico. Foi a melhor estratégia. Ele conseguiu pegar o Pinpoo.

Reencontro
A mulher dele me ligou e disse: "Pode parar de procurar o Pinpoo". Eu fiquei nervosa e disse: "Imagine se eu vou deixar de procurá-lo, ele deve estar sofrendo".
Aí ela me disse que o Pinpoo estava com o marido dela, que ele tinha conseguido pegá-lo. Quando o trouxeram aqui, ele entrou pela porta e seus olhos brilharam. Foi melhor que DNA, foi o que bastou para saber que era o meu Pinpoo.

Eu achei que ele estaria em pior estado, mas está só com uns machucadinhos. Eu cheguei a pensar que ele estava morto. Um cachorro que vive em casa... Achei que não conseguiria sobreviver sozinho naquele matagal.
Acho que ele sobreviveu por amor a mim, ele esperava me encontrar, assim como eu esperava encontrá-lo.


Mais Perdidos
Eu fiquei confusa com os outros cães que vieram me mostrar antes. Por um tempo, achei que eles poderiam ser o Pinpoo, a gente fica confusa, é muita emoção.

Esses cães da mesma mistura de pinscher com poodle são muito parecidos. O primeiro cãozinho, achado em Navegantes, logo vi que não era. O segundo, que acharam em Alvorada (cidade da Grande Porto Alegre) estava em um estado péssimo. Conseguimos deixá-lo em uma clínica veterinária.

No dia seguinte, vi que a pelagem dele era clarinha, o Pinpoo também tem o pelo amarelado, mas é mais escuro. Esse cachorro foi adotado por uma família que não é aqui do Rio Grande do Sul.

Fiquei preocupada com aquele cão, porque ele não era o Pinpoo, mas eu queria ficar com ele para arrumar uma doação. Iam fazer exame de DNA. No fim, a Gol me fez assinar um papel dizendo que aquele não era o Pinpoo, mas aí eu não poderia mais ter contato com aquele cachorro.

Quando encontraram o Pinpoo, ele entrou em casa e foi direto roer o lençol que eu dei para ele. Foi como se ele tivesse chegado dizendo: "Eu sou o Pinpoo".

Viagem
Eu nunca achei que essa história fosse ter tanta repercussão. Comecei timidamente, contando a história em sites de animais, procurando meu Pinpoo. Vou processar a empresa, pois roubaram dias da minha vida.
Cheguei a Guarapari (ES) e nem vi a praia, já sabia desde a parada em Confins que o Pimpoo estava perdido, eu precisei adiantar a volta.

Ninguém deixa um filho longe da família. Não voltei para casa, fiquei com parentes que moram próximo do aeroporto. No segundo dia de buscas, machuquei o pé enquanto procurava.

Tenho ofertas de empresas para comprar duas passagens e levar o Pinpoo na caixinha do meu lado. No dia 17, ele completou 11 meses e fizemos uma festa de aniversário com o programa "Pânico". Foi aniversário mesmo. Ele até comeu bolo."



Ministério da Saúde divulga calendário de vacinação para cães e gatos contra raiva

O Ministério da Saúde definiu o período de vacinação contra a raiva em cães e gatos em todo o país. A campanha está prevista para ocorrer em duas etapas: oito estados realizam a vacinação em julho e 17, em setembro. Essa definição considerou a avaliação da situação da doença em cada região, a cobertura vacinal em 2010 e o cronograma de fornecimento da vacina. A partir de maio, as vacinas começam a ser distribuídas às Secretarias Estaduais de Saúde, que enviam para os municípios.

Ao todo, serão adquiridas 32 milhões de doses para vacinar uma população estimada em 29 milhões de animais (veja quadro abaixo). O Instituto de Tecnologia do Paraná (TECPAR), fornecedor da vacina há 30 anos, será o laboratório responsável pela produção e oferta das doses.

Também foram adquiridas 3 milhões de doses, que estão sendo entregues desde fevereiro, para uso exclusivo em bloqueio de focos da doença. Até que o fornecimento seja completamente reestabelecido, essas vacinas somente serão usadas em áreas de risco, de acordo com avaliação do Ministério da Saúde.

Todas as vacinas que serão utilizadas na campanha passam por testes e só depois de aprovadas e liberadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) serão distribuídas pelo Ministério da Saúde aos estados.

Durante a vacinação deste ano, será mantido o sistema de monitoramento de eventos adversos adotado em 2010, com notificação em formulário eletrônico para o Ministério da Saúde de reações à vacina identificadas nos animais.


Fonte: MidiaMax.com

Sharpei pode ajudar em doença humana


NOVA YORK- Os shar-peis formam uma antiga raça chinesa de cachorros caracterizada por dois traços singulares: pele grossa e enrugada e crises frequentes de febre. Agora, pesquisadores afirmam que a mesma mutação genética é responsável tanto pelas rugas quanto pela febre.

 

"Todos os cachorros shar-pei possuem uma mutação que causa as rugas, mas um maior número de cópias determina maior risco de desenvolver a febre", disse Mia Olsson, doutoranda da Universidade de Uppsala, na Suécia, que trabalhou no estudo. A pesquisa aparece na revista "PLoS Genetics".

 

Já se sabia que as rugas eram resultado da produção excessiva de uma substância chamada ácido hialurônico, distribuída pela pele do cachorro.Esse excesso é provavelmente causado pela superativação de um gene chamado sintase hialurônica 2.Cachorros que trazem diversas mutações do gene parecem predispostos a desenvolver febres periódicas, relataram Olsson e seus colegas. Embora dure pouco tempo, a febre pode ser intensa e frequente, além de causar inflamações.Com mais informações, criadores poderiam evitar criar shar-peis que tivessem duplicações da mutação, afirmou Olsson.

 A pesquisa foi conduzida com a ajuda de criadores nos Estados Unidos, Suécia e Espanha. "Nossa maior prioridade agora é criar algum tipo de teste ou ferramenta para reduzir o número de cachorros que sofrem da febre", disse ela.A febre é bastante similar a algumas febres periódicas herdadas por humanos e estudar as mutações nos cachorros poderia ajudar os geneticistas humanos a desenvolver tratamentos.A febre periódica mais comum entre humanos é conhecida como febre mediterrânea. A doença, que não tem cura, tende a afetar pessoas de ancestralidade mediterrânea e do Oriente Médio.

23 de março de 2011

Bombeiro salva cachorro com respiração boca-a-boca

Um bombeiro britânico usou o beijo de vida para "reviver" um cão que estava a beira da morte em Yorshire, Oeste da Grã-bretanha. O vira-lata, de nome Sunny, foi resgato de um incêndio e não apresentava sinais vitais, a única ideia do bombeiro Dunn foi realizar um procedimento comum em humanos, a respiração boca-a-boca. "Nunca tinha ouvido falar do processo boca-a-boca usado em um animal, mas achei que valia a pena tentar, pois funciona bem em seres humanos", relatou Dunn ao jornal inglês Metro.UK


Inicialmente o bombeiro realizou o boca-a-boca e depois utilizou uma máscara de oxigênio que é destinada para humanos. O cachorro só se recuperou após 30 minutos de procedimento, massagem cardíaca e respiração boca-a-boca. O bombeiro encaminhou o cão para o veterinário. Os donos de Sunny estão morando temporariamente na casa de parentes até que os danos em sua casa sejam reparados. O casal relatou que o bombeiro é um herói.

22 de março de 2011

Cachorro sobrevive e pede ajuda para outro cão em meio a destruição de Sendai



Um cachorro que sobreviveu ao terremoto e a tsunami que devastaram Sendai ficou conhecido pelo mundo na última semana. O animalzinho tinha condições de fugir do local, mas se recusou a abandonar outro cão que estava ferido.

Os dois foram encontrados por jornalistas que gravavam imagens da destruição em Sendai. O cãozinho branco e castanho da raça Cocker Spaniel foi ao encontro dos jornalistas e conseguiu chamar a atenção deles conduzindo o grupo até o outro animal ferido.
Os dois foram recolhidos por autoridades locais. O cachorro herói foi levado a um abrigo por membros de uma ONG de resgate. O companheiro ferido está sendo tratado por um veterinário e vai ficar bem.
A história do amigo fiel volta a chamar a atenção para o drama dos animais domésticos que ficaram perdidos em meio a tragédia.

Fonte: O Diário
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Latida do Blog,

Sem Palavras

Guia de Raças Rottweiler

Para alguns, este cão, tipicamente alemão, descenderia do Boieiro bávaro. Para outros, ele seria proveniente dos Molossos introduzidos na Alemanha por ocasião das invasões romanas. Já na Idade Média, na cidade de Rottweil, em Wurtemberg, este cão poderoso e corajoso guardava os rebanhos e defendia os vendedores de gados contra os bandidos. A grande corporação dos açougueiros adotou-o e isto fez com que ele fosse denominado de “cão de açougueiro”. O primeiro clube da raça surgiu em 1907. Em 1910 ele foi oficialmente reconhecido como cão policial na Alemanha. Durante a Primeira Guerra Mundial foi utilizado pelo exército alemão. A raça foi definitivamente reconhecida em 1966. Sua reputação mundial começou por volta de 1970. O clube francês do Rottweiler foi criado em 1977.

GuiaPaís de Origem: Alemanha.

Cabeça: Forte. Crânio largo, moderada mente convexo. Stop bem definido. Cana nasal retilíneo. Trufa bem desenvolvida. Maxilares poderosos. Lábios pretos e ajustados.

Olhos: De tamanho médio, amendoados, de cor marrom escuro.

Orelhas: De inserção alta, medias, triangulares, muito afastadas. Pendentes, voltadas para a frente e com a linha da dobra bem junto á  linha do crânio.

Corpo: Atarracado. Pescoço poderoso, seco, sem barbelas. Antepeito bem desenvolvido. Dorso reto e poderoso. Peito espaçoso. Costelas arqueadas. Lombo curto. Garupa larga e ligeiramente arredondada.

Membros: Bem musculosos. Patas redondas. Dígitos bem fechados e arqueados. Unhas pretas.

Cauda: Cortada (com apenas uma ou duas vertebras) ou íntegra.

Pêlo: De comprimento médio, áspero ao tato, liso, cerrado. Subpêlo.

Pelagem: Preta com marcas fogo bem delimitadas nas bochechas, acima dos olhos, no focinho, na face interna do pescoço, no antepeito, nos membros e sob a raiz da cauda.

Tamanho: Macho: de 61 a 68 cm. Fêmea: de 56 a 63 cm.

Peso: Macho: aproximadamente 50 kg. Fêmea: aproximadamente 48 kg.

Temperamento, aptidões, educação: Robusto, resistente, equilibrado, tranquilo, mas com um temperamento forte e um espírito dominador (especialmente no macho). Ele deve dar uma impressão de força sossegada. Nunca late inutilmente. Dedicado, muito afeiçoado a seu dono, é muito paciente com as crianças. Guardião eficiente intrépido, de aspecaspectuasivo, é capaz de ser agressivo com estranhos. Requer uma educação precoce, muito firme, sem brutalidade, de modo a obter uma obediência impecável. Reflexo de seu dono, com um adestramento cruel, ele tornar-se á uma arma temível.

Conselhos: Este cão precisa de muito espaço e exercício. Não suporta ficar fechado nem preso. Teme o calor.  Escovação diária.

Utilização: Guarda, cão policial e do exército, companhia.

Preço médio: R$ 500,00 á R$ 1.500,00

Fonte: Livro: Enciclopédia do Cão (Royal Canin). Pagina 101.

21 de março de 2011

Animais de estimação afetam relações dentro da família

Primeiro, ele destruiu seus brinquedos. Depois foram os móveis, as roupas, os livros escolares – e, no final, a uma unidade familiar. James, um adorável vira-lata cor de chocolate, se transformou em garoto-problema em uma questão de semanas. “O xis da questão foi que minha mãe e minha irmã achavam que ele era esperto demais para ser tratado como um cachorro; elas pensavam que ele era uma pessoa e assim deveria ser tratado – e mimado”, disse Danielle, residente da Flórida que pediu que seu sobrenome não fosse revelado para evitar mais disputas familiares por causa do animal. “Passados 10 anos, o cachorro até hoje é uma fonte de discórdia e raiva”, ela complementou.
Há tempos psicólogos confirmaram o que a maioria dos donos de animais de estimação sente na própria pele: que, para algumas pessoas, os vínculos com os animais são tão fortes quanto os desenvolvidos com outros humanos. E, certamente, também menos complicados: a devoção de um cão por seu dono é livre de qualquer ironia, o ronronar de um gato não tem qualquer artifício (isso para não dizer desaprovação).
Entretanto, a natureza do relacionamento entre o homem e o animal apresenta inúmeras variações, e somente agora os cientistas estão começando a caracterizar tais diferenças e seus impactos sobre a família. Afinal, os animais domésticos não mudam somente a rotina familiar, mas também sua hierarquia, seu ritmo social e sua rede de relacionamentos.
Animal de Companhia
Diversas novas linhas de pesquisa ajudam a explicar porque este efeito geral pode ser tão reconfortante para algumas famílias e uma fonte de tensões para outras. E as respostas têm muito pouca ligação com os animaizinhos.
“Primeiramente, o termo ‘animal doméstico’ não captura por completo o que estes seres representam para uma família”, disse Froma Walsh, psicóloga da Universidade de Chicago e co-diretora do Chicago Center for Family Health. Ela diz que o termo que prevalece entre os pesquisadores é “animal de companhia”, que é mais próximo do papel de filho que eles geralmente desempenham. “E da mesma forma que as crianças são recebidas no sistema familiar como pacificadoras, como mediadoras ou como fontes de discórdia, o mesmo acontece com estes animais”.
As pessoas estabelecem estes papéis em parte com base nas sensações e lembranças associadas a seu primeiro animal de estimação, dizem os psicólogos – ecoando o conceito freudiano de transferência, no qual os primeiros relacionamentos criam um molde para os posteriores. Em muitas famílias, isso significa que o cãozinho é o pacificador universal, o pilar das afeições compartilhadas.
Em uma enquete familiar revisada por Walsh em um artigo recente, uma mãe disse que a melhor forma de por fim a uma discussão entre irmãos era gritando: “Parem de brigar, vocês estão irritando o Barkley!”. A mãe afirmou que aquele argumento era muito mais eficaz do que dizer: “Pare de bater em seu irmãozinho” (Barkley não comentou o assunto).
Eles sentem a expectativa
Os animais geralmente sentem estas expectativas e agem de acordo com elas. Em um vídeo que mostra outra discussão familiar mencionada no artigo, um gato pula para o colo de uma mulher quando pressente uma discussão iminente entre ela e o marido. “E podemos ver que isso acaba funcionando, reduzindo a tensão entre eles”, comentou Walsh.
“Ela é minha primeira filha”, disse Adrienne Woods, violoncelista de Los Angeles, referindo-se a Bella, o filhotinho de husky siberiano que ela e o noivo acabaram de adotar. “O lado positivo (de ter um animal) é a sensação de paz interior. Eu me sinto como uma avó. É como ter um companheiro por quem você esperava há 30 anos”.
Sim, os animais de estimação também podem aumentar as tensões, e alguns casais acabam descobrindo isso do jeito mais difícil. O programa de TV “It’s Me or the Dog”, exibido no canal americano Animal Planet, aborda histórias deste tipo. E Cesar Millan, especialista em comportamento animal, tornou-se uma celebridade ao ajudar as pessoas a retomar o controle sobre seus indomáveis cachorros, trazendo a ordem de volta ao lar com linhas duvidosas de autoridade.
Muitas vezes, talvez, os animais domésticos se transformem em pressão psicológica não por falta de limites, mas porque os membros da família têm visões divergentes sobre o que um animal de estimação deveria ser. E tais visões são talhadas pela herança cultural, e isso acontece com muito mais freqüência do que percebemos.
 
"Filinho"
Em um estudo sobre a relação entre animais de estimação e seus donos, a socióloga Elizabeth Terrien, da Universidade de Chicago, realizou 90 entrevistas detalhadas com famílias de Los Angeles - incluindo a família Woods. Uma tendência pôde ser claramente observada: pessoas de origem rural costumam considerar seus cachorros como guardiões, que devem ser mantidos fora de casa, enquanto que os casais de classe média tipicamente tratam seus cães como crianças, geralmente permitindo que eles durmam no quarto principal ou em uma cama especial.
Quando pedidos para descrever seus animais de estimação sem usar a palavra “cachorro”, pessoas de bairros mais afluentes surgiram com palavras como “filhinho, companheiro, amiguinho, irmão ou parceiro de crime”, disse Terrien. Em bairros com maior número de imigrantes latinos, os proprietários foram mais propensos a se referir aos animais como “protetor” ou mesmo como “brinquedo das crianças”. Ela conta: “Nesses bairros, às vezes vemos crianças dando puxões no cachorro com a guia, ou mesmo empurrando os animais de brincadeira - tipos de comportamento que seriam considerados abusivos por alguns donos de cachorros de classe média”.
Casados e SeparadosTais diferenças costumam surgir somente depois da família adotar um animal e elas podem exacerbar os tipos de discórdia mais comuns em relação aos cuidados com o animal - como quanto gastar em consultas veterinárias, com que frequência levar o cachorro para passear e como o animal deve interagir com as crianças menores. Não é difícil encontrar o efeito adverso destes conflitos: quase todo mundo conhece um casal que já brigou por causa dos animais de estimação, chegando mesmo ao divórcio, porque o cocker spaniel da mulher deu uma mordidinha no rottweiler do marido.
E são inúmeros os solteiros “casados” com algum cãozinho ou cadelinha peluda – banindo qualquer pretendente que não se apaixone, e rápido, pelo animalzinho. A razão que leva a tais sentimentos tão profundos é que eles se tratam de ideologias, assim como de tendências culturais e psicológicas.
No verão de 2007, o sociólogo David Blouin, da Universidade de Indiana, realizou entrevistas extensas com 35 donos de cachorros daquele estado americano, escolhidos para representar uma mistura diversificada de cidades, países e moradores do subúrbio. Através da pesquisa, ele constatou que as pessoas podem ser divididas em três categorias de crenças em relação aos animais de estimação.
Os “controladores” enxergam os animais de estimação como um apêndice da família, um ajudante útil inferior aos humanos que, apesar de amado, é substituível. Muitas pessoas de áreas rurais – como os imigrantes entrevistados por Terrien – se encaixam nesta categoria.
Os “humanistas” são os donos que estimam seus animais domésticos como um filho preferido ou um companheiro especial, mimando o animalzinho, deixando que ele durma na cama e lamentando por sua morte como se fosse a de um filho. Este grupo inclui as pessoas que preparam refeições especiais para o animal, levam o mesmo para a aula de ginástica, para a terapia – ou que os incluem no testamento.
O terceiro grupo, dos “protecionistas”, batalha pela defesa do animal. Estes donos têm opiniões muito fortes sobre o bem estar dos animais, mas suas opiniões sobre como um animal de estimação deve ser tratado – se deve ou não dormir dentro de casa ou quando deve ser sacrificado – variam de acordo com o que acreditam ser “o melhor” para o animal. Este grupo inclui as pessoas que resgatam um cachorro preso a uma árvore do lado de fora de uma loja, geralmente devolvendo o mesmo ao dono com um discurso sobre como cuidar de um animal.
“Estas são ideologias, por isso os protecionistas são muito críticos em relação aos humanistas, que por sua vez são muito críticos em relação aos controladores, e assim por diante. Podemos ver como isto gera problemas se os membros de uma família têm tendências diferentes. Qualquer decisão sobre o cachorro, por menor que seja, deve ser pesada”, disse Blouin.
Inclusive quanto ao fim da vida do animal: é possível que casais discordem não somente sobre o momento em que um animal precise ser sacrificado, mas que também tenham reações emocionais completamente diferentes em relação à perda. “Para o dono que trata seu animal como um filho, aquela perda representa a perda de um filho – e é claro que supostamente os filhos não deveriam morrer antes de seus pais”, disse Terrien. É uma crise do fim da vida, que geralmente dá início a um longo período de tristeza. Enquanto que para o parceiro que enxerga o animal de forma diferente, a morte pode representar um alívio.
Nada disso justifica que um animalzinho engenhoso – usando a poderosa combinação de fofura, olhares sofridos e episódios em que fica preso dentro de caixas ou come giz de cera – não possa unir crenças tão antagônicas. Mas, terapeutas familiares dizem que, geralmente, estes diplomatas de quatro patas precisam de uma mãozinha dos animais de duas pernas para terem algum êxito.
Terrien conclui:“Ou as pessoas se dão conta disso e tentam lidar com as diferenças, ou acabam abrindo mão do animal – o que acontece com muito mais frequência do que imaginamos”.